Cobertura colaborativa em tempos de pandemia: oficina propõe novos formatos para produção coletiva



Alinhada à temática central dos Colóquios, a Cobertura Colaborativa põe à prova os desafios e as novas práticas da educomunicação durante a Pandemia: cobrir um evento de forma totalmente online, reunindo profissionais e estudantes das cinco regiões do país.


Entre os dias 09 e 19 de março, o VIII Colóquio Ibero-americano de Educomunicação e o IX Colóquio Catarinense de Educomunicação irá propor diversos debates, palestras e mesas-redondas sob um mesmo pano de fundo: as práticas e os desafios do campo da educomunicação em tempos pandêmicos. Mas além da programação dos Colóquios, que pela primeira vez terá um formato integralmente online, outro projeto precisou de adaptação: a cobertura colaborativa do evento.


Prática muito recorrente em projetos educomunicativos e de Imprensa Jovem, a Cobertura Colaborativa propõe a produção de conteúdos em um processo de valorização da escuta, ideias compartilhadas, autonomia e protagonismo de sujeitos. "É uma dinâmica de aprendizado e trocas riquíssimas, onde o foco está no potencial das pessoas, seus conhecimentos e interesses, resultando em produtos que dialogam com as realidades e vivências do grupo", comenta Isabela Rosa, uma das coordenadoras da Cobertura Colaborativa. Feita para e pelos participantes dos Colóquios, este ano puderam participar pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas que compartilham o interesse por práticas educomunicativas.



Oficina de Design Básico com o Canva oferecida como parte da formação para a Cobertura Colaborativa

Mônica Asquino, professora Integradora de Mídias em uma escola municipal de Joinville (SC), é uma das participantes que integra a equipe da Cobertura. Segundo a professora de informática, ela se inscreveu porque acredita não ser possível falar sobre educomunicação sem ter feito parte ativa de uma prática educomunicativa: "Eu acredito na Educomunicação como forma de ampliar a construção do conhecimento, principalmente quando incluímos as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) nesse processo, tanto que a minha dissertação é sobre a Educomunicação e formação dos professores", comenta.


Juntamente com a Mônica, outras 90 pessoas mostraram interesse e se pré-inscreveram para a Cobertura Colaborativa, um número que surpreendeu a comissão organizadora. "Se por um lado perdemos o abraço, a roda de conversa, o olho no olho, por outro ganhamos capilaridade. Em outros tempos seria impensável conseguir reunir tantas pessoas, das mais variadas cidades, com diferentes idades e formações em uma única equipe. O virtual permite ampliarmos ainda mais o convívio com diferentes culturas e saberes", comenta Isabela.


Raio-x dos inscritos na Cobertura Colaborativa

Oficinas reinventadas


E pensando em uma maneira de reunir aprendizado em conjunto com a prática, a Cobertura Colaborativa, que se iniciou ainda em fevereiro, um mês antes dos Colóquios, teve que se reinventar, pois o modo de ensinar e oferecer oficinas também precisou de mudanças. A proposta envolveu, primeiro, disponibilizar o conhecimento técnico e prático da produção de conteúdos através de oficinas ao vivo em uma plataforma de videoconferência, que ao mesmo tempo foram gravadas e transmitidas ao vivo para o Youtube, para serem assistidas novamente depois, ou por aqueles que não acompanharam de forma síncrona. Passada esta etapa de formação, foram organizados núcleos de produção de cada linguagem - Texto para Web, Design no Canva, Podcast e Vídeo - e planejados os produtos áudio-scripto-visuais a serem desenvolvidos em cada dia de atividades, sempre de acordo com os interesses e a disponibilidade das pessoas que formam os núcleos, com o apoio técnico das oficineiras e oficineiro.



A arte de escrever para web foi o foco na oficina de texto

Profissionais das quatro áreas foram contratados para acompanhar os trabalhos: Isabela Rosa, educomunicadora graduada pela ECA/USP; Mariana Roncale, doutoranda em Educação e musicista; Olga Oliveira, jornalista e especialista em Gestão de Projetos; e João Lazaro, Mestrando em Educação e um dos responsáveis pela organização técnica dos Colóquios. "O conhecimento que compartilhamos inicialmente, independentemente da participação das pessoas na cobertura ao vivo do evento em si, é importante para o público do evento, que cada vez mais busca formas de apropriar-se das múltiplas linguagens propostas. E a experiência prática de registrar a cobertura nas linguagens áudio-scripto-visuais proporciona a oportunidade de exercitar o planejamento, criação de produtos, o que vai incrementar as habilidades das pessoas envolvidas ao mesmo tempo que a temática, o conteúdo em si dos registros, vai inseri-las nas discussões sobre educomunicação que o evento propõe", relata João, que é oficineiro de vídeo.



Capacitadores das oficinas

O formato adotado, portanto, visa a possibilidade dos participantes aprenderem e aplicarem os conhecimentos em outros projetos de educomunicação, além de ampliar a experiência com diferentes mídias. "Sou uma pessoa na qual a Educomunicação é muito pautada em vídeos (storytelling, stop motion, etc.) e nas oficinas pude me aprofundar em outras práticas. Não era muito fã de podcast, mas fiz uma oficina e vi outra pelo Youtube e gostei demais. Ou mesmo o trabalho com design e os elementos preciosos de webwriting. As oficinas me fizeram refletir sobre as práticas que irei abordar", conta Mônica, se referindo às práticas abordadas em seu projeto de mestrado. Já para o veterano de cobertura colaborativa, o professor Marcus Vinicius, de Florianópolis/SC, as oficinas o ajudaram a aprofundar conhecimentos de que já dispunha (escrita), refletindo sobre a própria prática e abrindo outras perspectivas, como no caso do podcast.


Um dos tutoriais disponíveis para a formação de Vídeo

O que começou como um choque de realidade em 2020, hoje já não é surpresa, e cada dia mais o novo normal será explorar e testar novos formatos e linguagens em nossas práticas. "Cada vez mais tenho me interessado pelas relações entre comunicação e educação. Não me parece ser uma relação acidental, provisória, mas que deve mudar mais e mais o próprio paradigma educativo. Pode transformar as práticas educativas para serem mais dinâmicas, participativas e construtivas", completa Marcus.


Onde Conferir


As produções da Cobertura Colaborativa serão produzidas durante as duas semanas do Evento e poderão ser conferidas pelas redes sociais e site dos Colóquios. E para quem quiser aprender sobre processo da elaboração e organização da Cobertura Colaborativa, também poderá conferir na Mesa-redonda: Cobertura Colaborativa de eventos online: experiências audio-scripto-visuais com Texto para Web, Design, Podcast e Vídeo, no dia 18 de março. Confira a programação completa do evento e inscreva-se! A participação é aberta e gratuita.


Fonte : Coordenação Cobertura Colaborativa

VIII Colóquio Iberoamericano de Educomunicação e IX Colóquio Catarinense de Educomunicação.

36 visualizações

© 2018 - 2021 por Educom Floripa

  • Instagram
  • Facebook Social Icon