Debatedoras abordam as perspectivas educacionais para professores e alunos em tempos de pandemia

Olga Oliveira| Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios*


As debatedoras com a mediadora

A tarde de quarta-feira (10/3) trouxe aos Colóquios um debate muito enriquecedor que teve como pano de fundo o tema “Avaliação e perspectivas para educadores e estudantes: quando a distância foi a regra”. No cenário virtual compartilharam seus saberes as professoras doutoras Daniela Melaré Vieira Barros (Universidade Aberta de Portugal), Jucimara Roesler (Gestora EAD Unifemm e Consultora Hoper Educação), Patricia Fiuza (UFSC) e Graziela Giacomazzo (UFSC/UNESC) e Daniela Ramos (UFSC) na moderação.


Aqui vamos dar destaque a alguns pontos elencados pelas debatedoras, mas recomendamos que, caso não tenha assistido ao debate, assista, pois todas as colocações nos levam a profundas reflexões sobre a educação nestes tempos pandêmicos.

Profa. Dra. Daniela Melaré da Universidade Aberta de Portugal

A professora Daniela Melaré (UAb) trouxe alguns dados do cenário atual e pontuou que “quando a distância é a regra e a presença no virtual é a necessidade” precisamos estar atentos aos seguintes pontos:

  • Transposição do presencial para o online;

  • Dificuldade em entender os novos formatos de comunicação;

  • Não realizar interação assíncrona;

  • Uso de muitas ferramentas, aplicativos e plataformas ao mesmo tempo;

  • A busca da “plataforma ideal”;

  • O investimento em tecnologias e soluções prontas;

  • A falta de sensibilização dos docentes para uma pedagogia do online.

Outro aspecto abordado pela professora foi a comunicação síncrona e assíncrona para os processos de avaliação enquanto metodologia. Ela diz: “A comunicação assíncrona ocorre de modo diferido, não sincronizado, não exige a presença simultânea dos participantes, nem no espaço, nem no tempo, dos para comunicarem entre si” e a comunicação síncrona “ocorre de forma sincronizada implica que os participantes se encontrem num mesmo espaço (físico ou online) e em tempo real, para comunicarem entre si.”


Abordou a importância da personalização dizendo que é necessário colocar o indivíduo no centro das atenções, propiciar a automotivação, desenvolver o sentido da cooperação e colaboração e estar atentos a redução das diferenças e ampliação das capacidades de aprendizagem.


Melaré, seguiu sua explanação dizendo que “existem quatro tendências, ou estilos, de uso do espaço virtual: o participativo; a busca e investigação; e a ação concreta e de produção no espaço virtual.


Ela também ressaltou em sua fala alguns pontos sobre a facilitação que as estratégias trazem para avaliação no processo metodológico e apontou:

  • Diversidade de estratégias, atividades, exercícios, tarefas, etc.;

  • Avaliação no processo de ensino e na aprendizagem;

  • Transparência e critérios bem explícitos;

  • Baseada no contexto do virtual;

  • Os resultados devem ser mais positivos do que negativos.

Profa. Dra. Graziela Giacomazzo

Em seguida, a Profa. Dra. Graziela Giacomazzo deu continuidade ao debate trabalhando o tema “Quando a distância foi a regra?”, mostrando dados expressivos: “Segundo a Unesco, em 23 de abril de 2020, quase 1,5 bilhão de estudantes — ou 84,5% de todos os alunos registrados — em 165 países foram afetados pelo fechamento de escolas em todo o planeta", citou a professora.


Para Giacomazzo, "quando a distância foi a regra nas universidades brasileiras nossas diferenças institucionais foram a regra". E traça um caminho falando sobre a natureza, gestão, perfil docentes, estrutura tecnológica e pedagógica, integração das TIC no ensino - A educação a distância e a comunicação.”


Profa. Dra Patricia Fiuza (UFSC)

Dando continuidade ao debate, a Dra Patricia Fiuza (UFSC) trouxe a retomada do tema central sob uma perspectiva das universidades públicas. Ela inicia dizendo que “69 Universidades Federais pararam as aulas com a pandêmia, sendo que oito retomaram atividades em meados de abril, segundo o Ministério da Educação.” Em seguida, trouxe dados referentes à Universidade Federal de Santa Catarina neste período de distanciamento social.


Fiuza ressaltou que é importante diferenciar para a comunidade acadêmica e geral que o “Ensino remoto é diferente de EAD.” Segue relatando sobre os aprendizados deste tempo pandêmico e destaque que:

  • Os desafios são complexos;

  • As soluções devem estar em sintonia com a realidade local;

  • Educação deve ser vista como política de estado.

A professora segue com um questionamento: “Inovar! Como?” e dá algumas pistas dentro das experiências vividas para reflexão de todos. Para Fiuza “é preciso conhecer a realidade por meio de pesquisas: habilidades digitais, competências digitais, literacia digital, etc. de todos atores do processo (alunos, professores, gestores, entre outros...) Avaliar, medir e acompanhar os processos; Aluno no centro do processo x tecnologia como recurso que auxilia o professor.”


Profa. Dra. Jucimara Roesler

Já a Profa. Dra. Jucimara Roesler, abordou A cultura Digital e seus impactos na educação dentro do tema perspectivas educomunicativas quando a distância for a regra.


Ela explica que “as redes sociais são uma comunidade ou rede de pessoas que se conectam a partir de interesses ou valores comuns” e que “estes agrupamentos sociais acontecem em uma estrutura, na internet ou fora dela.” Traz dados sobre pesquisas de 2019 que aumentaram a proporção de crianças de 4 a 6 anos com acesso a smartphone.

Tela com dados sobre acesso infantil ao smartphone

Roesler relatou sobre as novas formas de aprender com as tecnologias e que as redes sociais têm o poder de viralizar, proporcionando exposição positiva e negativa. A qualidade do que produzimos, pois estamos sujeitos a exposição! Educar para novos valores da cibercultura, diz a professora que também trouxe dados sobre a inteligência artificial, conforme foto abaixo de sua explanação.

Trecho da apresentação de Roesler sobre Inteligência artificial

Segundo Roesler é preciso ensinar e aprender por meio de estratégias educomunicativas. Seguiu falando sobre o conceito de aprendizagem ativa, trouxe algumas considerações sobre onde está o problema no processo e o que mudou recentemente. Ainda dentro da temática,segue falando da importância de momentos de curadoria, dentro do cenário relacionado à aula, para ela "o conhecimento é uma obra aberta. O professor não é mais o único autor de um conhecimento, ele pode ser curador." E, para realizar esta curadoria são necessários alguns processos. Ela exemplificou com um quadro da Profa. Dra. Marilene Garcia de Curadoria educacional, conforme descrevemos:

  • Antes da aula (Curar): Preparar, pesquisar, conversar, negociar e orientar;

  • Durante a aula (Tratando a curadoria): Interagir, orientar, negociar;, valorizar, discutir, sintetizar, compartilhar, avaliar;

  • Depois da aula (Apresentar resultado da curadoria): Avaliar, validar a avaliação,, metacognição, refletir, fazer fechamentos.

Ela segue demonstrando como podemos pensar em uma aula com métodos ativos e o que se pode usar como métodos ativos. A professora finaliza sua participação no debate falando sobre as tecnologias para gerar experiências educacionais trazendo vários exemplos tecnológicos.

Profa. Dra Daniela Ramos (UFSC) na mediação ao lado da intérprete de libras

A mediadora do debate, Dra Daniela Ramos (UFSC) conduziu a roda de perguntas e respostas e finalizou deixando com um convite para que “todos repensem as políticas práticas pedagógicas e tantas questões que foram colocadas no debate, contribuições extremamente ricas e se a pandemia escancarou as diferenças que temos econômicas e sociais ela também escancarou algumas questões da formação dos professores.” Segue, “até que ponto os professores estavam preparados para inovar, repensar suas práticas, integrar essas tecnologias, e certamente nós vamos rever todos os nossos níveis de formação e a educação, pelo menos espera-se que de tudo que a gente vivenciou de tão ruim, todas as perdas, possamos voltar de outra forma, de uma forma muito mais qualitativa, reflexiva, e se colocar neste contexto da educação e da formação”, finaliza a professora.


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* Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com


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