O professor midiático em tempos de pandemia

Sandra Mara Castro dos Santos / Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios


Dra Dulce Márcia Cruz, Mariana Roncale e a interprete Stephany

A segunda semana do Colóquio de Educomunicação inicia com a palestra “O professor midiático em tempos de pandemia: novos conteúdos e habilidades, desafios e possibilidades criativas” proferida pela Professora Dra. Dulce Márcia Cruz (UFSC) com a mediação da doutoranda Mariana Roncale.


Seguindo a proposta inovadora e inclusiva do evento, Mariana deu boas-vindas, apresentou o tema, fez sua audiodescrição e a dos intérpretes de libras Stephany e Giliard, bem como a descrição dos locais em que cada um se encontrava. Na sequência, apresentou a docente passando-lhe a palavra.


A Prof. Dra. Dulce parabenizou a organização do Colóquio, que reúne especialistas em mídia, educação e educomunicação. Agradeceu aos professores Rafael Martini e Ademilde Sartori pela presença do Grupo de Pesquisas Edumídia no evento.


Título da palestra Dra. Dulce

No início da fala, após se identificar descritivamente e ao seu cenário, fez alusão ao artigo de sua tese, disponibilizado para a ocasião - “O professor midiático: a formação docente para a educação a distância no ambiente virtual da videoconferência”, decorrente do primeiro mestrado a distância criado e implementado de 1997 a 2001, na UFSC. Com base nessa experiência e na ocorrência de aulas a distância no contexto da pandemia, a professora nos convidou a refletir sobre o que é um professor midiático, qual seu processo de aprendizagem, como acontece a apropriação da inovação e as estratégias utilizadas por esses professores.


Recorte apresentação sobre o professor midiático

De acordo com os resultados da pesquisa, na atuação do professor midiático ocorre um processo de midiatização da sala de aula, sendo a mídia o próprio ambiente/interface onde a aula acontece; as tecnologias são relevantes, constituem e definem o ambiente de ensino e surge a nova sala de aula, que passa por uma revolução estrutural com a inclusão de instrumentos de mídia e processos comunicativos especiais.


Neste contexto, o professor midiático precisou de competências relacionadas a uma nova linguagem midiática, dominar e operar os recursos para que ocorresse a comunicação com os alunos e a aprendizagem. Ao completar seu pensamento, a professora discorreu sobre a diferença entre o ensino presencial, a distância e o trabalho do professor midiático.


Na sequência, nos provocou a refletir sobre o professor midiático em tempos de pandemia, considerando o momento atual diferente do contexto da pesquisa “O mundo que levou à pandemia é profundamente marcado pela desigualdade, pela degradação social ambiental e pelo autoritarismo de base colonial, machista e racista,” disse Cruz.


Mundo em pandemia

A professora apresenta charges e quadrinhos que denunciam o abismo social vigente, com dois polos de estudantes, os que têm recursos para continuar seus estudos e os que não os têm, marcando assim as desigualdades vigentes. No contexto da pandemia “A covid-19 antecipou em uns 10, 15 anos o que iria acontecer em sala de aula”. Os professores tiveram uma série de dificuldades que são apresentadas pela docente em forma de memes, que denunciam as “multitarefas,” contextualiza a doutora.



Novas Possibilidades

Com relação às superações, ficou evidente a importância da busca por formações específicas. Muitos professores reagiram de forma positiva a esse turbilhão enfrentado pela educação. Nesse cenário, novos conteúdos são emergentes: questões curriculares ultrapassando a fragmentação; avaliação do que realmente importa; força, criatividade e solidariedade das comunidades, com iniciativas que salvam vidas; potência dos estudantes, com maior experiência em tecnologias.


Os professores desenvolvem habilidades com a adoção de novas maneiras de ensinar. Porém, a palestrante afirma que “os professores precisam de tempo para ter oportunidades crescentes e variadas ao ver outros professores atuarem; para confrontarem suas ações, examinar seus motivos e para refletir criticamente sobre as consequências de suas escolhas, decisões e ações; para ter oportunidades de troca e desenvolvimento contínuo de suas habilidades, para imaginar e descobrir experiências de aprendizagem mais poderosas para seus alunos”.


A docente explica as etapas de apropriação da tecnologia pelas quais os professores passam: exposição, adoção, adaptação, apropriação e invenção. Relaciona essas etapas ao momento atual, refletindo sobre as estratégias iniciais de apropriação das tecnologias que aconteceram nos primeiros meses da pandemia; os elementos criados por tentativa e erro - quanto mais o tempo passa, mais aulas levam a mais aprendizagem; mas, só isso não é suficiente, há necessidade da formação continuada. É preciso “ressignificar, aprender e explorar: atitudes fundamentais de quem educa em tempos de pandemia,” declara Cruz.


Ao final, foram apresentados os desafios e urgências do professor midiático: políticas de acesso universal às mídias digitais; políticas de letramento digital para professores, pais e estudantes; instalação de infraestrutura; valorização do trabalho docente; novo currículo baseado na aprendizagem do mundo mediado por tecnologia e fim da desigualdade. Diante do exposto pela doutora, vimos que a pandemia reinventou docentes na busca de uma nova organização dos tempos e espaços; trouxe uma relação mais acolhedora entre escolas e famílias; novas aprendizagens; menos horas síncronas e mais assíncronas, teve como foco o trabalho do aluno; o uso intensivo, extensivo e combinado de mídias; a aprendizagem constante e troca entre pares e o desenvolvimento da autoconfiança nos professores.


A palestrante ofereceu alguns bônus como o jogo da didática Comenius e a aprendizagem baseada em jogos e termina com a reflexão: a escola não será mais a mesma, pois o professor “Para não perder os alunos, entrou em contato com todos, adicionou o número dos estudantes no seu WhatsApp, criou grupos por turma, por onde passa áudios e vídeos com aulas e instruções. Seus alunos fazem as tarefas no caderno, tiram foto, mandam de volta para ele corrigir.”


A mediadora Mariana Roncale agradece à professora, fala sobre as interações positivas no chat, elogia o perfil do professor midiático atual, traçado pela professora durante a palestra, chamando-o de “a jornada de herói do professor”. Mariana traz para a discussão três dúvidas colhidas no chat: o sentido de mediação no contexto da palestra; o mestrado a distância e diferenças entre educomunicação e educação midiática. A palestrante diz não usar o termo intermediação por ser redundante, já que a mediação é o meio, fazendo a ponte entre uma coisa e outra. Esclarece que o mestrado por videoconferência da UFSC foi interrompido pela CAPES, porque na época não foi considerado possível de ser realizado. Com relação aos conceitos de educomunicação e educação midiática, diz que as vertentes são parecidas. Considera os professores mídia educadores, que precisam entender de mídias para usar mídias e necessitam de formação para isso. Já no caso da educomunicação, a palestrante diz serem os comunicadores fazendo a gestão da comunicação nas escolas, levando para os professores ideias, desenvolvendo Rádio Escolar, TV, para que estes comecem a utilizar as mídias. Rocale comentou que não há necessidade de detalhar um e outro termo, porque, no fundo, “são dois caminhos que convergem, tendo o propósito semelhante na construção da educação e da comunicação”.


A escola não será mais a mesma

Ao encerrar, a professora convida para continuar o diálogo conversando sobre o Edumídia e sobre o Game Comenius, divulgando seus contatos. A mediadora finaliza convidando os participantes do evento para as atividades do Colóquio no período da tarde e defende a busca de uma educação mais consciente, crítica e colaborativa.


Confira a programação do evento online que segue até o dia 19 de março. Inscreva-se!

__________________________________________________________________________________

* Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com


35 visualizações