Mesa destaca a importância de ações educomunicativas para o engajamento dos ODS

Mesa destaca a importância de ações educomunicativas para o engajamento dos ODS

Caroline Havranek - São Caetano do Sul/SP | Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios* Há muito o que se fazer, de forma individual ou coletivamente, todos somos chamados a colaborar com os patrimônios culturais e ambientais dos territórios nos quais vivemos. Nesta mesa, promovida pelo VIII Colóquio Ibero-americano de Educomunicação e IX Colóquio Catarinense de Educomunicação, especialistas debateram estratégias educomunicativas para o engajamento da sociedade civil com a vida na água – Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, de acordo com a Agenda 2030 estabelecida pela ONU/Brasil. O encontro contou com a participação de Daiana Proença Bezerra, representando o Projeto Toninhas, Daniele Herbst do Projeto Babitonga Ativa e Isabelle da Silveira do Painel Mar. A mesafoi mediadomediada pelo Professor Rafael Gué Martini (UDESC), com o apoio dos intérpretes de Libras Stephanie Vasconcelos e Guilhardi Kelm. Após a audiodescrição dos participantes e da homenagem prestada às vítimas pelo Covid-19, a mesa foi aberta às convidadas para a exposição de seus painéis. Daiana Proença Bezerra, representando o Projeto Toninhas, alertou para a grave ameaça de extinção desta espécie de golfinho (toninhas) encontrada em águas litorâneas costeiras, como a Baía de Babitonga (SC). O projeto Toninhas visa a conservação do golfinho, através da preservação da biodiversidade e ecossistemas onde ele vive. As ações educomunicativas deste projeto têm como foco a educação ambiental crítica: conscientização histórico-cultural e político-social dos conflitos ambientais. Suas ações pretendem despertar em seu público, o sentido de ‘pertencimento’ e valores éticos relacionados à biodiversidade. Para isso, empreende em diferentes projetos e têm como principais produtos o livro A turma da toninha Babi, que virou animação e está disponível no Youtube, o documentário No limite da sobrevivência e, dois games com a temática das toninhas. Já Dannieli Herbst do Projeto Babitonga Ativa, relatou que o programa nasceu a partir de uma demanda de ajustamento de conduta por multa ambiental pelo derramamento de 116,5 mil litros de óleo, também na Baía de Babitonga (SC). O projeto executado pela pró-reitora de extensão da Univille durante os anos de 2015 a 2017, teve como objetivos a mobilização social e planejamento estratégico ecossistêmico. Ações educomunicativas permearam todo o projeto através de oficinas de produção audiovisual, saraus multiculturais, e seminário infanto-juvenil. Daniele destacou a afetividade que há entre a sociedade civil e suas relações ecológicas, usos e patrimônios culturais. Chamou a atenção também para a importância da participação protagonista e crítica dos jovens. Como resultados, o projeto formou inúmeros multiplicadores que atuam como co-criadores de subprojetos, além de sete produtos audiovisuais. Isabelle da Silveira, representante do Painel Brasileiro para o Fundo do Oceano (Painel Mar), acredita que “práticas educomunicativas podem ser promotoras de mudanças significativas no relacionamento da sociedade com o ambiente costeiro marinho”. O Programa Horizonte Oceânico Brasileiro (HOB) representa a união de esforços em prol de políticas públicas para os oceanos, destacando-se o Seminário Inter-redes, que em sua segunda edição ocorrida entre abril e maio de 2020, obteve mais de 2000 inscrições e 18 mil visualizações em sua programação disponível no Youtube. As ações educomunicativas visam fomentar o engajamento civil e estabelecer conexões entre redes de conhecimento, agregando diferentes setores da sociedade e amplificando o seu potencial. Após a rodada de perguntas e respostas, Rafael Gué Martini encerra a mesa concluindo que a continuidade de ações educomunicativas incidem sobre políticas públicas que buscam o rompimento com culturas paternalistas e que todos devemos ter “atitude crítica”, e não somente “pensamento crítico”. Há muito o que se fazer, sigamos sem desanimar, nossos patrimônios culturais e ambientais precisam de ações. Você quer ver esta mesa Socioambiental e toda programação dos Colóquios? Acesse o Canal do Youtube do Educom Floripa. _________________________________________________________________________________ * Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com/

Socialização de pesquisas valoriza práticas científicas e encerra ciclo de partilhas dos Colóquios

Socialização de pesquisas valoriza práticas científicas e encerra ciclo de partilhas dos Colóquios

Marcela Brito (Cuiabá-MT)| Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios* Mediadoras das socializações A partilha de pesquisas e experiências foi realizada por um grupo de pesquisadoras e pesquisadores durante os Colóquios de Educomunicação, d. Entre uma apresentação e outra, ficou a defesa de que pesquisas e ciência podem melhorar a realidade das pessoas. O momento pandêmico foi registrado e as homenagens foram feitas com a dedicação de um minuto de silêncio logo no início. A socialização de pesquisas contou com Ma,Ana Flávia Garcez e a doutoranda Wanessa Matos como coordenadoras das partilhas da Educom Floripa, Edumídia, Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre ensino de Filosofia e Educação Filosófica, Mídia e Conhecimento, EduC-Digital e OIEducom Bernunça. Confiram as pesquisas socializadas: Doutor Rafael Gué Martini e o intérprete Giliard Educom.cine – A tese “Educomunicador como agente de integração das tecnologias de informação e comunicação na escola” (Uminho-Portugal) apresentada pelo professor doutor Rafael Gué Martini (Educom Floripa), organizador dos colóquios, com o Estudo de Caso – Programa de Extensão Educom.cine que ocorreu em uma escola pública de Florianópolis em 2015. De acordo com o pesquisador, 20 estudantes fizeram parte da pesquisa-ação, houve a realização de oficinas audiovisuais. Entre os produtos esteve o programa “Luz, Câmera, Educomunicação”. A pesquisa apontou uma nova taxonomia para a educomunicação, analisou as práticas pedagógicas educomunicativas (PPE), destacou a pedagogia do lugar e o empoderamento dos jovens. Estudantes e internet – A segunda apresentação foi realizada pela orientadora da pesquisa, a professora doutora, Patrícia Fiuza, que representou a autora da pesquisa “Estudantes e suas relações com a internet: habilidades digitais e o desempenho no Ensino Fundamental” (UFCS), a mestranda Cátia Regina Bernardes Fernandes (Mídia e Conhecimento / Labmidia). Devido à covid-19, a pesquisadora se ausentou do evento para cuidar dos pais acometidos pelo vírus. O objetivo da pesquisa foi analisar a relação das habilidades digitais, o perfil de uso da internet e o desempenho dos estudantes. Houve um levantamento do perfil de um grupo de 80 participantes e constatou-se que não foi possível identificar se o desempenho dos analisados está relacionado ao uso da internet e das tecnologias. Movimentos sociais e cultura digital – O pesquisador da Unesc, Juliano Carrer (EducDigital), expôs sua dissertação “Movimentos sociais na cultura digital e a formação humana”. A pesquisa apresenta conceitos sobre movimentos sociais, cidadania, formação humana e o movimento social em rede. O grupo “Coletivo Amplifica” foi o público-alvo com a participação de universitárias feministas do curso de Engenharia. Entre os destaques está a defesa do movimento social, atuar para mudar a realidade na faculdade e como a atuação em rede ganha espaço no universo de lutas. Ambiente Virtual Interativo – A pesquisadora Poliana Francibele de Oliveira Pereira , mestra, (Mídia e Conhecimento / Labmidia), apresentou sua dissertação defendida na UFSC, em 2019, com o título “Ambiente Virtual Interativo para o ensino de anatomia humana: um jogo sério para o Sistema Muscular.’ O objetivo foi trabalhar com professores e universitários que trabalham com anatomia humana de forma a possibilitar maior interação entre o conteúdo e a prática. Educom na Língua Inglesa – Luciana Souza de Oliveira Costa, mestre em Educação(NESEF Regional Planalto Catarinense) apresentou o trabalho “Perspectivas educomunicativas nas práticas escolares de língua inglesa”. A pesquisa apresenta a educomunicação como paradigma que direciona ações educativas para facilitar a interação entre os estudantes e valorizar o processo de ensino e aprendizagem. Destacou-se que as práticas na interface da educação e da comunicação possibilitam a dialogicidade e o processo de ensinar-aprender. Literacia – A sexta apresentação da tarde foi da pesquisadora Michele Mezari Oliveira (EducDigital), mestre em educação com o tema “Literacia Digital Crítica: apropriações de conhecimentos para a prática social”. De acordo com a professora, o termo literacia foi utilizado na pesquisa devido às buscas nos bancos de dados do Brasil, Portugal e Espanha apresentarem mais trabalhos com este termo na plataforma Cielo. Entre os destaques está a importância da literacia crítica para que os sujeitos se apropriem dos conhecimentos para lidar com o contexto diário. Letramento midiático - Klalter Bez Fontana Arndt (Edumídia), é doutoranda na linha de pesquisa: Educação e Comunicação. Ela dedicou-se em sua pesquisa a identificar o letramento midiático de pedagogas e pedagogos, como se dá a prática no contexto de pandemia e como será após esta fase. O tema do trabalho é “Narrativas, trajetórias e práticas docentes: um olhar sobre o letramento midiático de pedagogas”. A pesquisadoraapresentou o questionamento “Pensar a educação no presencial, será que haverá uma nova educação?”. Programa lúdico – A pesquisadora, doutoranda Bruna Santana Anastácio (Edumídia) fechou o ciclo de socialização com a pesquisa “PRÓ-LIFE - Programa Lúdico de Intervenção para as Funções Executivas: desenvolvimento e avaliação no contexto escolar”. O objetivo foi desenvolver um programa lúdico de intervenção para o aprimoramento das funções executivas das crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Destacou-se as aulas temáticas, a utilização da música, dos jogos e a gamificação. A coordenadora da socialização, Wanessa Matos, fez uma provocação aos participantes para elencar os maiores desafios da pesquisa neste contexto e parabenizou a atuação de cada qual em sua área de atuação. Informações sobre os trabalhos estão disponíveis na descrição do canal do Youtube Educom Floripa, onde o vídeo está disponível. O VIII Colóquio Ibero-americano de Educomunicação e o IX Colóquio Catarinense de Educomunicação, que ocorrem simultaneamente desde 2012, dedicaramse este ano à temática da "Educomunicação em tempos de pandemia: práticas e desafios", temática influenciada pela pandemia do Novo Coronavírus. Saiba mais no site: Educom Floripa _________________________________________________________________________________ * Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com/

Em edição online, Colóquios de Educomunicação chegam ao fim com recorde de público

Em edição online, Colóquios de Educomunicação chegam ao fim com recorde de público

O VIII Colóquio Ibero-americano e IX Colóquio Catarinense de Educomunicação marcou um novo formato de produção do evento e compartilhamento de conhecimento. Em uma modalidade inteiramente online, devido à pandemia causada pela covid-19, os Colóquios receberam mais de 1.200 inscrições, com representantes de quatro países e de todos os estados brasileiros. O evento foi gratuito e transmitido pelo canal do Educom Floripa no Youtube, atingindo um público ao vivo de mais de 2.100 pessoas. Com o tema “Educomunicação em tempos de pandemia: Práticas e desafios”, a programação dos Colóquios se desenvolveu ao longo de oito dias, totalizando 16 atividades que, somadas, contemplaram mais de 28,5 horas de programação e 20h de oficina colaborativa. O objetivo principal do evento foi difundir e ampliar a discussão em torno da temática das interfaces entre Educação e Comunicação. Especialmente por meio do aprofundamento na análise crítica das práticas pedagógicas educomunicativas desenvolvidas em espaços escolares e não-escolares, levando em conta a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A reflexão sobre a incorporação dos avanços tecnológicos à educação, em contexto ibero-americano, esteve presente na fala de convidados do Brasil, Peru, Espanha e Portugal. O evento teve como público-alvo pesquisadores, professores e estudantes das redes públicas e privadas de ensino básico, superior e de pós-graduação, agentes públicos municipais e profissionais da educomunicação. Os participantes assistiram a mesas-redondas, palestras, conferências e apresentações de pesquisas recentes em âmbito de mestrado e doutorado, envolvendo pesquisadores de diversos grupos. Toda a programação e transmissão contou com tradução simultânea em Libras, e práticas de audiodescrição por parte dos convidados ao início de cada atividade, resultado da preocupação de um evento mais inclusivo. As conferências, palestras, painéis e debates irão compor artigos que serão reunidos em um livro digital do evento, que terá artigos com versões em áudio e impressão em braile. Os Colóquios contaram ainda com uma novidade: a realização de uma Cobertura Colaborativa, feita por voluntários(as) de diferentes cidades do Brasil que se organizaram virtualmente para produção de notícias e compartilhamentos de conteúdos nas redes sociais. A equipe passou por formações específicas em quatro diferentes núcleos de produção: Vídeo, Design, Podcast e Textos para Web. Ao todo, foram mais de 20 horas de conteúdos práticos e formativos, com certificação ao final do projeto. Para conferir os resultados das produções, que continuarão a ser compartilhadas ao longo dos próximos dias, basta acessar o Blog do Educom Floripa e também os perfis no Instagram e Facebook (@educomfloripa). No encerramento do evento, o coordenador geral dos Colóquios, professor Rafael Gué Martini, relembrou o que falou o professor Joan Ferrés, na conferência de abertura dos Colóquios, sobre a importância das emoções para a aprendizagem. Essa relevância pode ser expressa pelo conceito do “corazonar”, que alude à conexão entre coração e razão, ou seja, uma razão que convive bem com os sentimentos, afetos e emoções sem perder sua sensatez. “Eu acredito que a educomunicação é uma ciência “estetoscópica”, que é capaz de escutar o coração dos sujeitos para que, colaborativamente e coletivamente, possam alinhar seus pensamentos, sentimentos e ações na construção de uma realidade utópica possível", completou o professor ao agradecer todos e todas pela participação nas duas semanas do evento, além de convidar que cada um pegue seu estetoscópio educomunicativo e pratique a escuta ativa do coração dos seus semelhantes. Os Colóquios foram realizados pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), o grupo de pesquisa Educom Floripa e ABPEducom (Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais de Educomunicação) SC com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), através do edital PROVENTOS de 2020. O evento contou também com as seguintes instituições parceiras: Associação Brasileira de Profissionais e Pesquisadores em Educomunicação (ABPEducom) Núcleo Regional de Santa Catarina; Laboratório de Educação Linguagem e Arte (LELA/UDESC); Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Planalto Catarinense (PPGE/UNIPLAC); Observatório Ibero-Americano de Educomunicação Bernunça n.0 (OIE Bernunça n.0); Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Mídias (Edumídia/UFSC); Grupo de Pesquisa Mídia & Conhecimento (GPM&C/UFSC); Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Ensino de Filosofia e Educação Filosófica (NESEF/UNIPLAC); Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Educação e Cultura Digital (EducDigital) do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Extremo Sul Catarinense (PPGE/UNESC); Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Informação e Comunicação (PPGTIC/UFSC); Projeto Toninhas - UNIVILLE; Diretoria de Educação Fundamental da Secretaria de Educação de Florianópolis (DEF/PMF); e Movimento Nacional ODS Santa Catarina. Convidamos para que acessem o site do Educom Floripa para rever a programação, ou para assistir às conferências, palestras, debates, mesas do evento. Ali você vai encontrar o link de cada uma delas no nosso canal do youtube. Isabela Rosa e Olga Oliveira - Comunicação dos Colóquios

Mesa-redonda sobre Cobertura Colaborativa de eventos online compartilha experiências

Mesa-redonda sobre Cobertura Colaborativa de eventos online compartilha experiências

Sandra Mara Castro dos Santos (Curitiba/PR) com colaboração de Isabela Rosa da Silva (Florianópolis/SC) Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios* Na tarde de quinta-feira, dia 18 de março, foi realizada a “Mesa-redonda: Cobertura Colaborativa de eventos online: experiências áudio-scripto-visuais com Texto para Web, Design, Podcast e Vídeo”, atividade do VIII Colóquio de Educomunicação e IX Colóquio Catarinense de Educomunicação, sob a coordenação da educomunicadora Isabela Rosa da Silva. A equipe da Cobertura Colaborativa acompanhou a atividade para realização deste relato. Esperamos que tenham uma ótima leitura! Como prática das demais atividades do evento, a transmissão se iniciou com um minuto de silêncio em respeito às milhares de vítimas da covid-19. Para Isabela, a realidade da pandemia perpassa por questões políticas e de criticidade, momento em que práticas educomunicativas são ainda mais necessárias. “Educomunicação envolve direitos humanos, leitura crítica, o respeito ao outro e a luta constante pela dignidade humana”, diz ao citar um dos lemas da Educomunicação, o “educom é amor e luta”, em sua fala de abertura. O objetivo principal da mesa-redonda, além de apresentar os processos de produção da proposta da Cobertura Colaborativa, foi o de compartilhar informações com o público para que, ao final, se sentissem capazes de organizar coberturas colaborativas on-line em diferentes realidades, seja na escola ou na comunidade. Para a equipe coordenadora, uma Cobertura Colaborativa é uma atividade que reúne pessoas trabalhando em parceria para cobrir um evento ou acontecimento, dentro de várias linguagens midiáticas. Como uma equipe de jornalismo, a equipe documenta e cria conteúdos de relevância. Isabela explica que em uma Cobertura Colaborativa, ao mesmo tempo em que a equipe dialoga, decide, ensina, e aprende sobre as linguagens, cria os produtos com base nos conteúdos. Para ela, os desafios enfrentados foram o trabalho remoto nesse contexto global de pandemia - muitas pessoas deixaram a cobertura por questões de saúde ou trabalho; o cuidado com a comunicação - tanto envolvendo os meios digitais usados, quanto aspectos afetivos; e a equipe mista - coordenar pessoas de diferentes lugares e contextos. Oficinas de formação e Núcleos de Produção Para que a Cobertura Colaborativa fosse realizada, foi necessário uma etapa que antecedeu os Colóquios: as oficinas de vídeo, design, podcast e textos para web. Entendida como uma etapa de pré-produção, era necessário instrumentalizar as pessoas - todas voluntárias - e ensinar técnicas nas quatro linguagens. Com carga superior a 12 horas, qualquer pessoa acima de 18 anos poderia se inscrever para assistir às oficinas e, posteriormente, escolher quais núcleos de produção gostaria de atuar, conforme interesse e disponibilidade. Conheça abaixo um pouco mais sobre cada proposta de trabalho das oficinas e núcleos de produção. Importância do pertencimento e pluralidade em tempos digitais Um dos princípios norteadores para que uma cobertura seja, de fato, colaborativa, é a pluralidade de ideias e participação de pessoas diversas. Por isso a equipe organizadora quis trazer espaços de fala para a mesa-redonda, com depoimentos de integrantes da Cobertura Colaborativa, que nesta edição recebeu de 90 inscritos interessados nas oficinas, número que caiu ao final dos Colóquios, somente 13 pessoas continuaram na equipe. Kátia Baeta é uma dessas 13 pessoas voluntárias que integram a equipe da Cobertura Colaborativa. Artista plástica e moradora de Joinville, Santa Catarina, Katia participou de quase todas as oficinas. Disse que tinha familiaridade com o tema, já que possui experiência com projetos de Educomunicação no projeto Babitonga Ativa, mas nada parecido com o que vivenciou nas duas semanas dos Colóquios. Destacou a organização do evento, com um ecossistema de comunicação muito organizado, a questão do afeto, do respeito com que o grupo foi tratado e concorda com a professora Olga quando diz que já fazíamos Educomunicação, mas não sabíamos conceituar. “E apesar do evento ser grandioso, com pesquisadores e uma grande quantidade de pessoas envolvidas, foi bom saber que estaríamos colaborando”, finaliza. Já Paula Helena, de Rio Verde de Mato Grosso (MS), diz que foi a sua primeira participação em cobertura colaborativa. Ela trabalha na área de assistência social, participa de um grupo de educomunicação de profissionais atuantes na área, e que um dos colegas recomendou os Colóquios. Falou que a participação foi maravilhosa, que foram muitos desafios na oficina de podcasts, mas que desejava ter essa experiência completa: planejar, gravar, editar. Paula disse que foi desafiador perceber o quanto é difícil produzir um roteiro, fazer um podcast, um vídeo, um card, e que não é só um trabalhinho. “Os podcasts são mais complexos do que eu imaginava, eu avisei que escolhi o podcast pelas minhas dificuldades, pra me desafiar e foi muito bacana’, conta. A sul-mato-grossense ressaltou a questão do acolhimento, da empatia, da compreensão, de que toda a equipe foi muito acolhedora e que isso passou uma sensação de fazer parte da equipe e motivou a ir além, que fez com que se sentisse parte do processo: “eu nunca vou esquecer, é possível sim, criar vínculos mesmo à distância", complementa. Outra participante que também elogiou o acolhimento do grupo foi Leila Gonçalves, professora, pesquisadora do grupo EducDigital (UNESC), em Criciúma (SC), e entusiasta de mídias digitais. Segundo ela, o que a incentivou a fazer parte foi a curiosidade, o interesse para ver como funciona, mas também poder partilhar, colaborar, sentir o acolhimento nesse momento em que estamos vivendo. Foi a primeira experiência em cobertura colaborativa, mas muito rica em aprendizagens, em trocas, divertida e agregadora. Afirmou que que ficou muito gratificada com o resultado das criações, “foi bom ver que não é só uma ‘artezinha’”. Que traz para sua vida essa formação com a cobertura e a ampliação de olhar. Disse que trabalha com formação de professores, ministra disciplinas voltadas ao uso das mídias, tem o olhar do design, mas na hora da educação para a comunicação percebeu que não usava com clareza, então trouxe isso para sua vida. “Gostei de produzir os cards, os carrosséis, das reuniões divertidas. Me acrescentou no sentido profissional e para a vida. Levo essa experiência do lado esquerdo do peito, guardada no coração”. Por fim, Mônica Aquino relatou que é professora integradora de tecnologias do município de Joinville e tem como função trazer propostas tecnológicas para professores. Faz mestrado na área da Ciência, Matemática e Tecnologia, com projeto de Educomunicação para formação de professores. Entrou na cobertura para conhecer a proposta colaborativa e encontrou um ambiente receptivo, dando protagonismo para as criações. Ficou preocupada com a parte de vídeo por não saber se estava a altura, mas que João dizia, “vai que eu estou te acompanhando”. Destacou o suporte, que deu segurança. também ajudou no núcleo de design, fazendo os prints de tela, e que ficava feliz ao ver seu print em um card. Ressaltou que o João foi muito prestativo, ensinou, deu liberdade para a escolha da ferramenta. Disse que um verdadeiro ecossistema comunicativo foi criado na cobertura colaborativa e agradeceu a participação e ajuda de todos. Encerramento Mesa-Redonda Cobertura Colaborativa Ao final, Isabela convidou a todos para entrar nas redes sociais e ver o trabalho produzido pela equipe da Cobertura Colaborativa. Chamou a intérprete Stephany que parabenizou o grupo do evento e sugeriu, para a próxima cobertura colaborativa, a presença de especialistas na área da acessibilidade, audiodescritores, intérpretes que possam auxiliar a preparar materiais para pessoas que possuem baixa visão, cegueira ou sejam surdas, deixou a proposta e agradeceu a abertura para a fala. Isabela agradeceu as considerações dizendo que são perfeitas e que falta aprofundamento em algumas questões. O esforço para tornar o evento mais acessível e inclusivo foi realizado por meio das traduções na Linguagem de Libras, das auto descrições de pessoas e locais e dos textos narrados em formato de podcast. João agradeceu a contribuição da Stephany, do Gilliard e dos demais intérpretes e disse que os Colóquios contemplaram alguns aspectos, mas ainda há ajustes a fazer e que acredita que a cobertura colaborativa pode ter muito a ganhar com a inclusão de pessoas que trabalham com acessibilidade. A equipe da Cobertura Colaborativa respondeu algumas questões técnicas enviadas pelo público no chat, incentivando-o a experimentar as ferramentas para gravar, editar e publicar. Com relação à divulgação, disseram que é importante que não fique parada, muitas vezes há projetos incríveis limitados a uma bolha, então fica o desafio de pensar ações estratégias de divulgação para que todo mundo consiga ter acesso. Ao final, Isabela citou novamente a filosofia arroz com feijão. A pandemia mexeu com as estruturas emocionais em dois sentidos, no sentido de conseguir fazer com o que temos de tecnologias, mas também saber como tratar o outro, como pensar novas formas de fortalecer a base do arroz com feijão, deixá-lo bem temperado, para que alimente a alma. A Coordenadora termina dizendo que foram duas semanas emocionantes e que foi possível criar afetos mesmo à distância. Precisamos ter o básico para construir, inventar e revolucionar. Agradeceu ao público e recomendou que curtam as redes sociais no Instagram, no YouTube, no Facebook, no Twitter, se inscrevam, comentem os conteúdos para tirar dúvidas, façam críticas. “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer." Na despedida, Olga apresenta um dizer de Graciliano Ramos “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer." e Mariana declamou “Quem nessa vida não teve medo da inovação, vai tudo se transformando numa bruta aceleração, é áudio, é vídeo, é foto, tudo pra aprender no ensino remoto, mas eu que não sou boba nada, vim aqui para aprender, com toda essa equipe linda, compartilhando junto nosso saber. Olê, olê olê / olê, olê, olá, vamos abrindo os caminhos, deixe a informação passar”. Quer ver na íntegra esta mesa? Acesse o Canal do Youtube do Educom Floripa. Os textos podem ser conferidos aqui mesmo, no Blog do Educom Floripa e as produções do Podcast podem ser ouvidas no perfil do EDUSOM no Anchor. ____________________________________________________________ * Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. 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Ecossistemas educomunicativos: um paradigma para o mundo pós-pandemia

Ecossistemas educomunicativos: um paradigma para o mundo pós-pandemia

Marcus Vinicius de Souza Nunes (Florianópolis,SC) | Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios* Não é uma tarefa fácil apresentar a Prof. Dra. Ademilde Sartori. Líder do Grupo Educom Floripa, Professora Titular da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), responsável pela disciplina “Educação e Comunicação” no Programa de Pós-Graduação em Educação da mesma Universidade, é uma das mais ativas pesquisadoras do país, pondo em conexão professores, estudantes, pesquisadores e profissionais no Brasil e América Latina. Graduada em Física, mestra em Educação, Doutora em Comunicação, sua capacidade de transitar por várias áreas, seu compromisso com a transformação social que a prática pedagógica produz, e sua vasta produção científica, fazem dela um dos principais nomes da Educomunicação. Foi com uma conferência intitulada “Práticas Pedagógicas Educomunicativas e isolamento social: perspectivas para ecossistemas educomunicativos” que a Prof. Ademilde, dia 19 de março, encerrou as atividades do VIII Colóquio Ibero-Americano e IX Colóquio Catarinense de Educomunicação. Mediada pela Professora Dra. Vanice dos Santos (UFPB), sua conferência foi um convite feito com a razão e o coração para repensarmos os paradigmas da educação no mundo pós-pandemia. A Educomunicação, segundo a Prof. Ademilde, é precisamente isso: um novo paradigma que desafia os modelos tradicionais e tecnicistas, centrados no professor como o sujeito principal da prática pedagógica. Se nas lógicas tradicionais de ensino as mídias são pensadas como um instrumento à disposição, na prática educomunicativa elas são partes integradas ao processo. Aliás, segundo a conferencista, a pandemia do Covid-19 acelerou essa transformação, ao ponto de que “se a discussão sobre a inserção das mídias já não está superada, está comprometida”. Paradigmas educacionais como o construtivismo e o sócio-interacionismo já haviam aberto o espaço para pensar uma pedagogia ativa. A Educomunicação radicaliza essa tendência, e pensa uma educação sobretudo crítica, que coloca o sujeito em relação dialógica com o outro. Na conferência ainda se ressaltou que “não existe prática humana fora da história”. Por conseguinte, precisamos olhar para o evento pandêmico que vivemos e descobrir o que aprendemos com ele. E qual é o resultado desse olhar? Para Sartori, a pandemia provocou uma transformação nos espaços-tempos da escola, contudo, sem planejamento, sem preparação, sem organização. Todos foram pegos de surpresa, um verdadeiro desafio para educadores e estudantes. Mas, é inegável “que os professores têm feito o melhor que podem” com sua formação e condições de trabalho. Além disso, um sem-número de pessoas se empenhou em produzir tutoriais durante a pandemia, e outros materiais que auxiliaram na introdução ao uso das tecnologias. Também os alunos se empenharam e se mostraram solidários uns com os outros e com seus professores. Qual é então a característica essencial desse novo paradigma que precisamos pensar? A Prof. Ademilde sustenta que a noção de “ecossistema educomunicativo” é a chave. Nele, a aprendizagem é colaborativa, com professores e alunos intercambiando papéis constantemente, onde as mídias são um aspecto inegociável da cultura e por tal essenciais ao único processo ontológico formado por educação e comunicação. Na prática pedagógica educomunicativa o meio é rede, um diálogo permanente que acontece de “muitos-para-muitos”, ao contrário de processos mais tradicionais que ocorrem de “um-para-um” (a educação tecnicista) ou de “um-para-muitos” (a comunicação em massa). A conferencista ainda ressaltou a importância do trabalho do Prof. Dr. Ismar Soares (USP) na constituição dessa noção de “ecossistema educomunicativo”, e as pesquisas que ela e o Prof. Dr. Rafael Gué Martini (UDESC) têm feito para elaborar teoricamente o conceito e pensar sua prática. Vale salientar que a Educomunicação tem como uma de suas bases fundamentais o reconhecimento de que “precisamos do querer e do sentir para dar uma resposta pedagógica adequada: a razão e a lógica não bastam”. Ao fim da conferência, a mediadora Prof. Vanice dos Santos, destacou que o encerramento dos Colóquios é pro forma, porque o trabalho educomunicativo continua. De fato, a conferência da Prof. Ademilde Sartori, mais que uma fala formal, mais que um debate teórico, é um documento histórico sobre o compromisso que os educomunicadores assumem com a transformação da sociedade. Para uma fala de encerramento, o Professor Dr. Rafael Gué Martini (Educom Floripa/UDESC), coordenador geral do evento, fechou a noite com a apresentação de alguns números dos Colóquios: Mais de 1200 inscritos; 2.100 pessoas acompanhando pelo canal Youtube, de vários lugares do Brasil, da América Latina, de Espanha e Portugal; 3.900 horas totais entre atividades dos Colóquios e atividades de preparação. A faixa-etária dos participantes variou dos 14 aos 77 anos, com predominância de participantes entre 39 e 44 anos. Rafael ainda manifestou seu agradecimento aos membros da organização, do comitê científico, da cobertura colaborativa e a todos que direta e indiretamente ajudaram a construir o evento. Por fim, Martini afirmou que terminou o evento pessoalmente transformado. Ele acredita que “a Educomunicação é a ciência capaz de tocar o coração das pessoas, para construirmos a realidade utópica com a qual sonhamos”. Quer rever esta palestra e o encerramento dos Colóquios? Acesse o canal do Youtube Educom Floripa. Você também pode baixar aqui a apresentação da Dra. Ademilde Sartori. __________________________________________________________________________________ * Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com

Pesquisadora peruana fala sobre formação de educadores em tempos de pandemia

Pesquisadora peruana fala sobre formação de educadores em tempos de pandemia

Marcela Brito (Cuiabá-MT)| Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios* A Formação dos docentes, pandemia e a atuação dos professores neste universo foram tratadas na manhã de sexta-feira (19), no último dia dos Colóquios. A palestra foi ministrada pela Dra. Maria Teresa Quiroz (Universidade de Lima, Peru), com a mediação da professora e idealizadora do evento, Ademilde Sartori (UDESC). O evento online dedicou um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do covid-19 com muita emoção e solidariedade. Logo no início da sua apresentação, a professora Teresa Quiroz observou que vivemos tempos de muita dor e que, apesar da pandemia ser um fenômeno global, que atinge todo o mundo, a forma como atinge as pessoas não é igual, os menos favorecidos são as maiores vítimas. Um panorama sobre a realidade dos docentes e dos estudantes do Peru foi apresentado com uso intensivo das tecnologias, a necessidade de um papel ativo das crianças e adolescentes. “Falamos de educomunicação como processos que permitem formar cidadãos mais críticos”, afirma a professora ao avaliar a importância de ações na interface comunicação e educação. Dados divulgados pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) foram destacados durante a palestra como a intensificação dos usos de plataformas digitais para a Educação. No Peru, o uso do rádio foi a alternativa para chegar às regiões com mais dificuldade de comunicação, de acesso ao sinal de internet, onde os vulnerabilizados ficam à margem da transmissão de informações. “Os países da América Latina e do Caribe estão menos preparados para esta realidade da pandemia. Apesar da massificação da conectividade móvel ter aumentado, ainda é insuficiente”, pontua. Professores desvalorizados Ao fazer referência à prática docente no Peru, a desvalorização da profissão foi apontada, além de assumir o desafio de dar aula na pandemia. “Os professores assumiram a responsabilidade da educação sem estar preparados, foram obrigados a adaptar os processos de trabalho, trabalhar em más condições, são os verdadeiros heróis nessa realidade”, diz Quiroz. A pesquisadora enfatizou que a pandemia demonstrou que as tecnologias não democratizam, mas que aprofundam a desigualdade devido à falta de acesso. Ao citar uma pesquisa realizada com professores sobre a educação midiática, em 2019, disse que constatou-se que o conhecimento era desigual entre os professores, alguns tiveram formação e outros não, e que houve a implantação das tecnologias, mas não a formação para a cidadania digital. “Os professores sentiam o distanciamento entre eles e as crianças que, por serem de outra geração, sabiam mais que os professores sobre as tecnologias, já usam fora da sala de aula”. Entre os desafios apontados para a prática docente citados na palestra estão o problema na conectividade, escassez de recursos financeiros, infraestrutura insuficiente, deficiência administrativa, entre outros fatores que incidem na carência de formação docente. Trabalho colaborativo A questão da prática dos professores, na formação no Peru, não se limita ao uso das tecnologias, mas, aprender os relacionamentos de trocas, das relações, do trabalho colaborativo, de acordo com a Dra. Maria Teresa Quiroz. “Trabalho colaborativo supõe escutar o outro, como nos ensinou Paulo Freire, dialogar com os outros. Sermos capazes de sair de nós mesmos para escutar e construir algo que faz parte de uma equipe. Esse é o trabalho colaborativo que é um dos grandes temas que deve ser tratado com os professores e é a base da educomunicação”, finaliza a professora peruana. Quer rever esta e outras palestras dos Colóquios? Acesse o canal do Youtube Educom Floripa __________________________________________________________________________________ * Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com

Debate aborda a Educomunicação nas Políticas Públicas de Saúde

Debate aborda a Educomunicação nas Políticas Públicas de Saúde

Carolina Araújo Aguiar Franco - Uberlândia/MG | Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios* Qual Educomunicação nas Políticas Públicas de Saúde? Esse questionamento foi tema do V Debate promovido pelo VIII Colóquio Ibero-americano e IX Colóquio Catarinense de Educomunicação. Para o debate reuniram-se virtualmente os professores Ma. Irma Neves (UNESP) e Dr. Claudemir Viana (ECA/USP) sob a mediação do também professor Dr. Marciel Consani (USP) e auxílio dos intérpretes de Libras Stephanie Vasconcelos e Giliard Kelm. Como forma de demonstração de respeito às mais de 270.000 vítimas de Covid-19 no Brasil, fez-se um minuto de silêncio. Na sequência a palavra foi passada à Profa. Irma Neves que apresentou de forma detalhada o projeto implementado pela Secretaria de Saúde de São Paulo em parceria com profissionais de Educomunicação, o Educom.Saúde. O projeto vigente desde 2019, ainda na modalidade presencial e hoje tendo sua manutenção de maneira remota foi desenvolvido, primeiramente, em cerca de 80 municípios com mais de 100 mil habitantes contemplando o Programa Estadual de Vigilância e Controle das Arboviroses (doenças transmitidas por insetos e aracnídeos). Como meta buscou-se através da Educomunicação a conscientização e mobilização social para o controle e combate das arboviroses. No total alcançou-se a capacitação de 200 profissionais de saúde das regiões da Grande São Paulo, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Campinas e Bauru, com o desenvolvimento de projetos que puderam ser aplicados em suas regiões. Segundo a Profa. Irma, os resultados positivos dessa capacitação começaram a aparecer já em 2019, em algumas cidades com projetos variados como: limpeza e coleta de entulhos em vias públicas, implementação de brigadas contra a dengue, entre outros. Sendo assim, o projeto já tem uma expectativa de expansão para até 2022 com envolvimento de aproximadamente 250 novos municípios com população habitacional acima de 5 mil. O impacto positivo se deu pelo envolvimento efetivo dos profissionais de saúde em parceria com a comunidade, pois como disse a Profa. Irma “A Educomunicação é um trabalho que devemos fazer “com” e não “para”, ou seja, muito mais colaborativo e eficaz”. O Prof. Dr. Claudemir Vieira, também coordenador da ABPEducom (Associação Brasileira dos Pesquisadores e Profissionais da Educomunicação) abriu sua participação no debate salientando a importância dos estudos e pesquisas em educomunicação, a fim de expandir e aprimorar os princípios dessa prática bem como apresentá-las às outras áreas sociais, através da capacitação de seus profissionais. O professor fez uma breve apresentação do curso desenvolvido com a perspectiva de dar continuidade ao processo de capacitação desses profissionais, agora de forma totalmente remota, através da plataforma Moodle e de encontros virtuais entendendo e se adaptando à nova realidade brasileira de distanciamento social, valorizando a necessidade de não interrupção desses processos de ensino e assessoria. Após a explanação do prof. Claudemir o debate foi estendido aos participantes, que puderam trazer suas contribuições e questionamentos através do chat. Leidyane Ramos foi uma das participantes desse chat declarando “a motivação que os projetos educomunicativos trazem, um ânimo em meio à tantas tristezas por causa da pandemia”. Salientando a necessidade da prática coletiva da educomunicação, Viana afirmou que “a essência dos projetos educomunicativos está em agir em parceria, em conjunto, de forma dialógica do princípio ao fim”, pois aí está “a força, o potencial de transformação da realidade”, integrando sempre o saber e o agir. Em concordância com as ponderações do professor, Neves encerrou sua participação destacando a sua crença na educomunicação como “possibilidade de transformação, primeiro em nós mesmo e depois na saúde pública do país”. O debate foi encerrado com manifestações de interesse e agradecimentos dos participantes, ainda via chat, que destacaram a relevância do tema discutido e as excelentes considerações dos professores envolvidos no evento, lembrando que o colóquio que iniciou no dia 09 de março encerrou no dia 19 de março e suas apresentações poderão ser acessadas posteriormente na plataforma Youtube, no canal Educom Floripa. Clique aqui e acesse a apresentação da Ma. Irma Neves.

Debate reforça a comunicação em rede, educom socioambiental e a importância dos vínculos afetivos

Debate reforça a comunicação em rede, educom socioambiental e a importância dos vínculos afetivos

Marcela Brito (Cuiabá, MT)| Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios* Em um clima de empatia, envolvimento e emoção, o debate que abriu o sexto dia dos Colóquios abordou o tema Comunicação estratégica em rede: a importância da comunicação online na sensibilização socioambiental. O evento ocorreu nesta quarta-feira (17) e contou com a moderação do Dr. Leopoldo Cavaleri Gerhardinger (Painel Mar) e a participação da jornalista Naira Albuquerque (UNIVILLE), e as professoras Marta Cremer (UNIVILLE) e Ma. Patrícia Zimermann (ECA/USP). Como de costume, o evento homenageou as vítimas da Covid-19 com um minuto de silêncio e, ao iniciar as falas, os participantes realizaram a autodescrição. A definição de comunicação já foi, logo de início, apresentada pela jornalista Naira Albuquerque, que motivou a reflexão sobre a importância de comunicar, ato que vem desde o nascimento. Destacou que o processo educacional é um processo de criar corpo no mundo”. O poder ideológico da comunicação também foi citado e como o ato de comunicar é um lugar de encontros. A professora Marta Cremer (UNIVILLE) trouxe o contraponto da comunicação, ou seja, o entrave da não comunicação entre a academia e as pesquisas com a sociedade. De acordo com a pesquisadora, observou-se que a comunicação ocorria somente entre os que estão no universo acadêmico, com produção de artigos científicos, em um ambiente restrito, o que demonstra um desencontro entre o que a comunicação possibilita e o que deveria ser comunicado para todos, segundo a professora. “A pandemia acentuou este distanciamento entre a ciência e a sociedade, o que gerou dúvidas sobre a academia, nossa comunicação ficou muito restrita aos nossos pares”, avalia Cremer. Outro ponto citado foi a espetacularização da notícia que favorece uma imprensa sensacionalista. Esta prática feita pela imprensa tradicional já chegou de inibi-la a dar entrevistas com receio de ter suas informações distorcidas. Toninhas - Foi neste contexto de comunicação e as limitações da academia em divulgar suas ações que a perspectiva educomunicativa foi adotada para socializar com a comunidade o Projeto Toninhas, que já soma mais de 10 anos de pesquisa na Baía Babitonga, região norte de Santa Catarina. Entre os objetivos está divulgar a toninha (uma espécie de golfinho), seu o risco de extinção e trabalhar no tripé pesquisa – educação ambiental – incentivo às políticas públicas. O projeto foi balizado pela educomunicação como forma de superar os abismos comunicacionais apontados pela jornalista e pesquisadora Naira Albuquerque, da UNIVILLE. “Através da comunicação conseguimos auxiliar no processo social, fortalecendo a cidadania ao ponto que a gente desenvolve seres mais críticos, que vão estar aptos a cobrar de uma forma mais efetiva a proteção do seu meio e a defesa dos seus direitos”. Entre as atividades educomunicativas realizadas pelo projeto Toninhas estão uma série de vídeos “Descomplicando a Ciência”, disponível no Youtube, a produção de uma livro paradidático “As aventuras da toninha Babi”, que também resultou em animação transmídia com o mesmo título. Também foram produzidos jogos virtuais “Toninha’s Adventure” e “Toninha’s Life”. O projeto por alguns anos teve o apoio da Petrobrás. Babitonga – O segundo momento do debate contou com a professora da Universidade de São Paulo, Patrícia Zimermann (ECA/USP), apresentou suas ações na área da educomunicação como formação de docentes, cursos a distância e sua pesquisa relacionada às políticas públicas em diversos espaços comunicativos. Com o tema “Educomunicação socioambiental como política pública: a mobilização cidadã no ecossistema Babitonga”, a pesquisadora relacionou o conceito educomunicação incorporado nas diretrizes do Programa Nacional de educação ambiental do Ministério do Meio Ambiente e os projetos como “Babitonga Ativa”. A professora Patrícia Zimermann apresentou sua trajetória desde que teve o conhecimento do termo educomunicação, o contato com o professor referência em neste assunto no Brasil, Ismar Oliveira Soares, até a sua inserção no curso de Educomunicação da USP e sua atuação com proposições de políticas públicas. Outros destaques apontados foram as experiências com alunos de graduação do curso Políticas Públicas, da USP, durante este período da pandemia (2021 e 2021) e o desenvolvimento do curso no formato EAD para o Programa Horizonte Oceânico Brasileiro (HOB) em 2020, para o Painel Mar, com o tema “Educomunicação socioambiental". A formação foi organizada e ministrada pela Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom). “A comunicação e a educação precisam pensar que em uma sala de aula a gente forma vínculos e laços. A empatia é importante”, pontuou Zimermann que encerrou sua fala com uma reflexão do filósofo chinês, Confúcio: “Diga-me e eu esquecerei. Mostre-me e eu lembrarei. Envolva-me e eu entenderei”. A ideia foi motivar os participantes do debate a elencar os motivos de atuar nesta interface da comunicação e educação. O debate seguiu com questionamentos dos internautas e as contribuições das debatedoras. Para finalizar, o moderador Leopoldo Cavaleri Gerhardinger (PainelMar) reforçou a importância da educomunicação socioambiental, da superação dos desafios, das trocas de energias e sintonizar com pessoas que seguem o caminho da comunicação em redes socioambientais. Acesse o canal do Educom Floripa no Youtube e veja este debate. __________________________________________________________________________________ * Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com

Socialização das pesquisas: Partilhar para transformar

Socialização das pesquisas: Partilhar para transformar

Marcus Vinicius de Souza Nunes (Florianópolis,SC) | Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios* Mais do que um termo técnico, ou um procedimento formal das pesquisas nas Universidades, a socialização é de natureza educomunicativa. Fica fácil de entender isso quando pensamos a Educomunicação não como uma técnica, um conjunto de saberes e linguagens – ainda que seja isso tudo também – mas uma partilha, um agir colaborativo e transformador. Na tarde de 16 de março, às 15h no Canal do Youtube do Educom Floripa acompanhamos a socialização das pesquisas de jovens acadêmicos, mestrandos, doutorandos e novos doutores, que vêm dando uma importante contribuição para a pesquisa e a prática educomunicativa em vários grupos de pesquisa. A Dra. Ana Paula Knaul, do Grupo Edumídia (UFSC/Cnpq) apresentou sua pesquisa de doutorado, intitulada “Infâncias contemporâneas e relações sociais no uso de tecnologias digitais: inspirações fenomenológicas”. Ana Paula buscou responder como se desenvolvem as relações entre as crianças na sua relação com uso de tecnologias. Evidenciou-se a importância do educador e das famílias aprenderem a lidar com a autonomia das crianças. A Prof. Cristina Marcon Buogo, mestra em educação pela Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) chamou a atenção para o fato de que as políticas educacionais impactam nas práticas pedagógicas e, por consequência, na vida de estudantes e de suas famílias. Sua pesquisa chamada “Práticas educomunicativas e políticas educacionais: perspectivas ou impossibilidades?” volta seu olhar para a legislação atual, em especial para a BNCC. Os documentos já destacam o fato de que os adolescentes e jovens têm se engajado cada vez mais na cultura digital. Diego Passos Lins membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Ensino de Filosofia e Educação Filosófica - Regional Planalto Catarinense, mestre em educação pela Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) apresentou suas contribuições teóricas na articulação entre matemática e uso de mídias com a pesquisa “Práticas educomunicativas na Educação Matemática”. Com o título “Formação pedagógica na pandemia: estrutura, motivações e dificuldades”, Jonatan Santos Bereta, especialista em Educação Tecnológica pelo Instituto Federal Catarinense (IFSC) e membro do Laboratório de Mídia e Conhecimento (LabMídia /UFSC) apresentou os desafios impostos pela pandemia, em especial no projeto do LabMídia que fornece apoio e capacitação aos professores da educação básica. Será que os “desenhos animados” podem contribuir para a formação de professores dos anos iniciais? Segundo a Prof. Dra. Kamila Regina de Souza, doutora em educação pela UDESC e integrante do grupo Educom Floripa, a resposta é afirmativa. Sua pesquisa “Os desenhos animados e a prática pedagógica educomunicativa na educação infantil: uma aventura dialógica a partir da pesquisa-ação”, realizada junto aos discentes do curso de graduação em Pedagogia da FAED/UDESC. A Prof. Leila Laís Gonçalves, mestra em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, doutoranda em educação pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) e integrante do EducMídia/UNESC, apresentou a pesquisa “Inclusão Digital e os Processos Pedagógicos: 12 anos de extensão em espaços formais e informais de educação​.” Nela, a Prof. Leila narra a história de seus 12 anos trabalhando em projetos e escolas no município de Criciúma-SC, as dificuldades e os desafios na educação para a cultura digital de professores e estudantes. “Para nós a Pedagogia na Educomunicação, além de dar conta e envolver os aspectos da Pedagogia da Comunicação, nos aparece como a área que engloba aquilo que temos estudado em nosso grupo e, compartilhado com outros, nos últimos anos” afirma o Prof. Dr. Thiago Reginaldo, integrante do grupo Educom Floripa. Sua pesquisa “Pedagogia na Educomunicação: Alfabetização e linguagem na Prática Pedagógica Educomunicativa nos anos iniciais”, realizada durante o seu doutorado em educação no PPGE/UDESC, dialogou com a prática educomunicativa a partir da extensa e qualificada produção teórica dos membros do Educom Floripa. Tantas pesquisas qualificadas só poderiam render um bom debate. Foi o que aconteceu após as apresentações. Não conseguiríamos esgotar aqui essa conversa. Por isso, este texto que você está lendo é apenas uma apresentação sumária, reduzida, e um convite para você acessar o Canal do Educom Floripa no Youtube, veja e reveja esse conteúdo maravilhoso e potente, pois tem a força de quem acredita na ação transformadora da educação. ​ __________________________________________________________________________________ * Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com

O professor midiático em tempos de pandemia

O professor midiático em tempos de pandemia

Sandra Mara Castro dos Santos / Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios A segunda semana do Colóquio de Educomunicação inicia com a palestra “O professor midiático em tempos de pandemia: novos conteúdos e habilidades, desafios e possibilidades criativas” proferida pela Professora Dra. Dulce Márcia Cruz (UFSC) com a mediação da doutoranda Mariana Roncale. Seguindo a proposta inovadora e inclusiva do evento, Mariana deu boas-vindas, apresentou o tema, fez sua audiodescrição e a dos intérpretes de libras Stephany e Giliard, bem como a descrição dos locais em que cada um se encontrava. Na sequência, apresentou a docente passando-lhe a palavra. A Prof. Dra. Dulce parabenizou a organização do Colóquio, que reúne especialistas em mídia, educação e educomunicação. Agradeceu aos professores Rafael Martini e Ademilde Sartori pela presença do Grupo de Pesquisas Edumídia no evento. No início da fala, após se identificar descritivamente e ao seu cenário, fez alusão ao artigo de sua tese, disponibilizado para a ocasião - “O professor midiático: a formação docente para a educação a distância no ambiente virtual da videoconferência”, decorrente do primeiro mestrado a distância criado e implementado de 1997 a 2001, na UFSC. Com base nessa experiência e na ocorrência de aulas a distância no contexto da pandemia, a professora nos convidou a refletir sobre o que é um professor midiático, qual seu processo de aprendizagem, como acontece a apropriação da inovação e as estratégias utilizadas por esses professores. De acordo com os resultados da pesquisa, na atuação do professor midiático ocorre um processo de midiatização da sala de aula, sendo a mídia o próprio ambiente/interface onde a aula acontece; as tecnologias são relevantes, constituem e definem o ambiente de ensino e surge a nova sala de aula, que passa por uma revolução estrutural com a inclusão de instrumentos de mídia e processos comunicativos especiais. Neste contexto, o professor midiático precisou de competências relacionadas a uma nova linguagem midiática, dominar e operar os recursos para que ocorresse a comunicação com os alunos e a aprendizagem. Ao completar seu pensamento, a professora discorreu sobre a diferença entre o ensino presencial, a distância e o trabalho do professor midiático. Na sequência, nos provocou a refletir sobre o professor midiático em tempos de pandemia, considerando o momento atual diferente do contexto da pesquisa “O mundo que levou à pandemia é profundamente marcado pela desigualdade, pela degradação social ambiental e pelo autoritarismo de base colonial, machista e racista,” disse Cruz. A professora apresenta charges e quadrinhos que denunciam o abismo social vigente, com dois polos de estudantes, os que têm recursos para continuar seus estudos e os que não os têm, marcando assim as desigualdades vigentes. No contexto da pandemia “A covid-19 antecipou em uns 10, 15 anos o que iria acontecer em sala de aula”. Os professores tiveram uma série de dificuldades que são apresentadas pela docente em forma de memes, que denunciam as “multitarefas,” contextualiza a doutora. Com relação às superações, ficou evidente a importância da busca por formações específicas. Muitos professores reagiram de forma positiva a esse turbilhão enfrentado pela educação. Nesse cenário, novos conteúdos são emergentes: questões curriculares ultrapassando a fragmentação; avaliação do que realmente importa; força, criatividade e solidariedade das comunidades, com iniciativas que salvam vidas; potência dos estudantes, com maior experiência em tecnologias. Os professores desenvolvem habilidades com a adoção de novas maneiras de ensinar. Porém, a palestrante afirma que “os professores precisam de tempo para ter oportunidades crescentes e variadas ao ver outros professores atuarem; para confrontarem suas ações, examinar seus motivos e para refletir criticamente sobre as consequências de suas escolhas, decisões e ações; para ter oportunidades de troca e desenvolvimento contínuo de suas habilidades, para imaginar e descobrir experiências de aprendizagem mais poderosas para seus alunos”. A docente explica as etapas de apropriação da tecnologia pelas quais os professores passam: exposição, adoção, adaptação, apropriação e invenção. Relaciona essas etapas ao momento atual, refletindo sobre as estratégias iniciais de apropriação das tecnologias que aconteceram nos primeiros meses da pandemia; os elementos criados por tentativa e erro - quanto mais o tempo passa, mais aulas levam a mais aprendizagem; mas, só isso não é suficiente, há necessidade da formação continuada. É preciso “ressignificar, aprender e explorar: atitudes fundamentais de quem educa em tempos de pandemia,” declara Cruz. Ao final, foram apresentados os desafios e urgências do professor midiático: políticas de acesso universal às mídias digitais; políticas de letramento digital para professores, pais e estudantes; instalação de infraestrutura; valorização do trabalho docente; novo currículo baseado na aprendizagem do mundo mediado por tecnologia e fim da desigualdade. Diante do exposto pela doutora, vimos que a pandemia reinventou docentes na busca de uma nova organização dos tempos e espaços; trouxe uma relação mais acolhedora entre escolas e famílias; novas aprendizagens; menos horas síncronas e mais assíncronas, teve como foco o trabalho do aluno; o uso intensivo, extensivo e combinado de mídias; a aprendizagem constante e troca entre pares e o desenvolvimento da autoconfiança nos professores. A palestrante ofereceu alguns bônus como o jogo da didática Comenius e a aprendizagem baseada em jogos e termina com a reflexão: a escola não será mais a mesma, pois o professor “Para não perder os alunos, entrou em contato com todos, adicionou o número dos estudantes no seu WhatsApp, criou grupos por turma, por onde passa áudios e vídeos com aulas e instruções. Seus alunos fazem as tarefas no caderno, tiram foto, mandam de volta para ele corrigir.” A mediadora Mariana Roncale agradece à professora, fala sobre as interações positivas no chat, elogia o perfil do professor midiático atual, traçado pela professora durante a palestra, chamando-o de “a jornada de herói do professor”. Mariana traz para a discussão três dúvidas colhidas no chat: o sentido de mediação no contexto da palestra; o mestrado a distância e diferenças entre educomunicação e educação midiática. A palestrante diz não usar o termo intermediação por ser redundante, já que a mediação é o meio, fazendo a ponte entre uma coisa e outra. Esclarece que o mestrado por videoconferência da UFSC foi interrompido pela CAPES, porque na época não foi considerado possível de ser realizado. Com relação aos conceitos de educomunicação e educação midiática, diz que as vertentes são parecidas. Considera os professores mídia educadores, que precisam entender de mídias para usar mídias e necessitam de formação para isso. Já no caso da educomunicação, a palestrante diz serem os comunicadores fazendo a gestão da comunicação nas escolas, levando para os professores ideias, desenvolvendo Rádio Escolar, TV, para que estes comecem a utilizar as mídias. Rocale comentou que não há necessidade de detalhar um e outro termo, porque, no fundo, “são dois caminhos que convergem, tendo o propósito semelhante na construção da educação e da comunicação”. Ao encerrar, a professora convida para continuar o diálogo conversando sobre o Edumídia e sobre o Game Comenius, divulgando seus contatos. A mediadora finaliza convidando os participantes do evento para as atividades do Colóquio no período da tarde e defende a busca de uma educação mais consciente, crítica e colaborativa. Confira a programação do evento online que segue até o dia 19 de março. Inscreva-se! __________________________________________________________________________________ * Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com

Terceiro debate dos Colóquios aborda relações sobre cultura maker, BNCC e educomunicação

Terceiro debate dos Colóquios aborda relações sobre cultura maker, BNCC e educomunicação

Siliana Dalla Costa (Itajaí, SC) | Equipe Cobertura Colaborativa* Fechando a primeira semana de atividades do VII Colóquio Ibero-Americano e do IX Colóquio Catarinense de Educomunicação tivemos, na tarde de sexta-feira, dia 12, o terceiro debate do evento. Mediada pelo professor Claudemir Viana (USP) a mesa contou com a participação dos professores Ismar Soares (USP), Vanice dos Santos (UFPB) e Raquel Valduga Schöninger (PMF), além dos intérpretes de Libras, Stephanie Vasconcelos e Guilhardi Kelm. A atividade foi transmitida ao vivo pelo canal do Educom Floripa no Youtube, onde os professores levantaram discussões sobre "BNCC, cultura Maker e educomunicação: perspectivas curriculares e formação de professores”. Para quem perdeu o debate, a gravação está disponível no perfil do Educom Floripa na plataforma. Parafraseando a canção Silêncio, de Arnaldo Antunes, escrita em parceria com Carlinhos Brown, a professora Drª Raquel Valduga Schöninger deu o tom daquilo que o público veria no decorrer da tarde. Para ela, o silêncio provocado pela Covid19 assustou, mas não impediu que a educação pudesse se ressignificar. “Refletimos muito, pois a educação básica não pode funcionar em sua integralidade na modalidade EAD, o vínculo é o mais importante”, pontuou. A professora trouxe o exemplo do Portal Educacional da Secretaria de Educação de Florianópolis, Santa Catarina, para falar sobre construção coletiva e espaços de trocas em ambientes digitais, onde cada professor, cada mediador é tratado como co-autor e pode construir conexões. Mas, para isso, a professora alerta sobre investimento em políticas públicas permanentes. Ela conta que na Secretaria Municipal de Florianópolis há um departamento de tecnologia educacional desde 1998, onde os professores de educação tecnológica são efetivos, vinculados às disciplinas e com reconhecimento da BNCC. “Não queremos só internet na escola, não queremos só WIFI na escola, queremos alunos conectados”, diz. Na sequência, a professora Drª Vanice dos Santos falou sobre cultura maker e o processo de fazer, sentir e pensar. Para isso, ela reportou-se ao estilo de vida dos povos da Grécia antiga e comparou o modo de fazer artesanal da época com a cultura dos cliques e da velocidade que temos hoje. “A cultura maker tem a ideia de que as pessoas têm capacidade de fazer, de construir, de consertar suas próprias coisas, mas só com o mão na massa não é o suficiente. Não podemos ser apenas instrumento”, alerta. Para a professora, o direito à uma aprendizagem e ao desenvolvimento, com princípios éticos, políticos e estéticos contidos na BNCC, passa pelo ato de pensar e “fazer é pensar”, completa. Com uma pergunta muito pontual: “Existe espaço para a educomunicação?”, o professor Dr. Ismar Soares diz que a educomunicação se coloca como interface e que o jovem, o estudante, tem papel fundamental na construção dessa ligação. Entretanto, ele adverte que é preciso política pública que garanta um projeto de educomunicação cidadão. “O empoderamento inadequado das tecnologias pode levar ao fim da democracia”, comenta. Após as explanações, foi aberto para perguntas e os professores puderam complementar suas linhas de pensamento, fechando a primeira semana de Colóquios. Perdeu este debate? Confira a programação do evento online e acesse os vídeos. ___________________________________________________________ *Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com

E o que aprendemos do ensino remoto?

E o que aprendemos do ensino remoto?

Marcus Vinicius de Souza Nunes (Florianópolis,SC) | Equipe da Cobertura Colaborativa dos Colóquios* Na manhã de 12 de março, quarto dia do VIII Colóquio Ibero-Americano e do IX Colóquio Catarinense de Educomunicação, acompanhamos no Canal do Youtube “Educom Floripa” a conferência da professora Dra. Sara Dias-Trindade, da Universidade de Coimbra, em Portugal, que foi mediada pela professora Dra Roxane Cabello, da Universidade de General Sarmiento, Argentina. Com o título “Educação Remota e uso de tecnologias na educação: o que aprendemos”, a doutora Sara apresentou o balanço de uma pesquisa conduzida por ela entre os docentes da educação básica em Portugal, durante o período da pandemia. Apesar da diferença entre esse cenário e o brasileiro, muitos pontos em comum foram apontados, sobretudo pela audiência que se manifestou através do chat da plataforma Youtube. Trindade ressaltou que é importante reconhecer que “temos capacidade de nos adaptarmos, de sermos resilientes” e que embora haja muita resistência por parte dos alguns docentes, e mesmo de alunos, o uso de tecnologias digitais na educação é um caminho irreversível em “um mundo cada vez mais digital”. O fato de que “fomos arremessados à educação remota”, segundo a conferencista, pôs em relevo os desafios que ainda precisam ser enfrentados. Entre as principais dificuldades destaca-se a questão de “como fazer escola, como fazer comunidade digital?” É um desafio porque há uma tendência de simplesmente transpor-se o ensino tradicional para as plataformas digitais. Ao invés disso, a professora Sara insiste que devemos passar por uma grande transformação curricular, em que sejam articulados os conhecimentos científicos tradicionais com a aprendizagem de competências transversais. As competências digitais, sobretudo, devem ser parte não apenas de um componente curricular, mas devem atravessar toda a formação, tanto dos docentes, quanto dos jovens que se prepararão para outras posições no mercado de trabalho. Se por um lado “a pandemia afetou a sociabilidade dos alunos", por outro a pesquisa conduzida em Portugal revela que houve um grande salto qualitativo na aprendizagem das competências digitais, em especial entre os alunos mais jovens. Além do mais, a necessidade de transformar os processos pedagógicos para acompanhar a situação emergencial revelou aos educadores que “há muita coisa supérflua no currículo” e que se pode “concentrar no essencial”. Isso não significa a digitalização de todos os aspectos da educação, mas a necessidade da articulação de várias formas de presença, virtual ou física, constituindo um modelo híbrido. O acesso universal aos dispositivos tecnológicos, e mesmo ao sinal de internet (que não chega em muitos lugares, mesmo em Portugal) é um desafio na construção das políticas públicas, que acabam por ultrapassar a possibilidade de ação dos educadores. Entretanto, os professores descobriram, segundo Trindade, o que ela chama “Princípio da Rainha Vermelha”, baseando-se em trecho do livro “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll: é preciso andar muito para ficar no mesmo lugar. Para acompanhar as transformações da cultura digital temos de estar em constante formação. O balanço feito na conferência não é pessimista, tampouco otimista. É uma leitura serena dos limites e das possibilidades. A professora Sara oferece disciplinas de “humanidades digitais” na Universidade de Coimbra e relata que os alunos jovens evitam cursá-las por receio de lidar com tecnologias. Disto ela conclui que se “os estudantes não sabem fazer uso pedagógico da tecnologia digital, então a formação é urgente”. A pandemia acelerou o processo de digitalização da educação, de uma forma que sobrecarregou docentes e estudantes. O retorno gradativo a atividades presenciais em Portugal tem se revelado um alívio. Cada vez se torna mais claro que a total virtualização da educação não é a melhor opção. É preciso construir esse modelo híbrido do futuro já agora. Para isso é necessário construir uma filosofia educacional que assuma a inovação como um passo fundamental. Confira a programação do evento online que segue até o dia 19 de março. Inscreva-se! ________________________________________________________________________________ * Uma equipe com voluntários(as) de diversos lugares do país está contribuindo com a cobertura dos Colóquios de modo colaborativo. Críticas e sugestões podem ser feitas em coberturacolaborativaeducom@gmail.com